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Nota #5

Terminei 2022 completamente exausta. Esgotei os últimos suspiros para me dedicar aos trabalhos de fim de ano. Um esforço que seca até as mais insistentes gotas do rio de energia mental! Depois das festas de final de ano - e um positivo de COVID-19 -, me desconectei e desliguei por duas semanas. Um descanso tão esticado que cheguei a sentir saudades da rotina.


Cá estou, de fato, só depois do carnaval, de volta para a agenda de tarefas. Um ano que determinei para grandes e tão esperadas realizações. Uma delas foi a mudança na parte das criações com cerâmica: antes, uma marca com nome e comunicação próprias, agora é parte de um total e absoluto composto das minhas obras.


Mas por que falar sobre isso?


No vídeo que lancei na página da Tamanduá (esse aqui!), eu falo um pouco da trajetória e de toda construção dessa marca, como cheguei na argila e como ela foi se estabelecendo e transformando ao longo dos anos. O que eu acho mais interessante desses registros, é dar atenção e valor à própria trajetória, aceitando pontos finais e de transição como parte de uma grande caminhada artística.


Essa mania do registro, seja em vídeos, fotos ou textos, vai muito além do making of de capturar o processo de um trabalho; ela se refere não apenas, mas principalmente, aos registros ordinários do dia a dia. O documentar também instiga uma compreensão maior da minha pessoa artista.


A escolha do vídeo não é por ser um meio de comunicação dinâmico e atual - é por isso também, mas não só -, é pelo exercício de enxergar minha imagem associada à fala. Penso eu, que quando a gente elabora uma fala pública sobre um assunto, ela é construída de uma maneira mais organizada e clara. Então, conectar essas duas linguagens é um passo importante. Na fala, você precisa entender sobre o que está sendo falado, para que outras pessoas entendam seu processo e a imagem serve como afirmação visual e reconhecimento da própria figura.


Foto: Aline do Espírito Santo

Fiz meu roteiro antes de tudo. Escrevi os acontecimento em ordem cronológica, conforme ia lembrando. É engraçado como as memórias e informações preciosas de quando absolutamente tudo era novidade, se perdem com o passar do tempo e com a prática no trabalho.


Nesse exercício do lembrar, voltei para os lugares que fui, para pessoas que conheci no meio do caminho, da saga do forno que me custaram meses até que ficasse pronto e, em seguida, das peças inteiras jogadas fora por temperaturas erradas. Eu queria que as coisas dessem certo, mas também entendi, na prática, como fica quando sai fora do esperado, porque "errado" é relativo para cada objetivo.


Quando a gente avalia uma obra finalizada, não coloca ela na condição de certo ou errado e sim, sob um ponto de vista dentro de uma expectativa. Limitar o olhar é dificultar a visão para as perspectivas menos óbvias. Rever a própria trajetória é uma nova chance de interpretação. Os acontecimentos são os mesmos e a história é conhecida, mas você, ao longo dos anos, vandalizou algumas ideias antigas, adquiriu conceitos novos e entende mais sobre si mesmo.


Nessa revisão, foi como se eu tivesse colocado todas as minhas produções na mesa grande da cozinha e, finalmente, entendido que não tinha mais o menor sentido elas seguirem como marcas distintas, já que passaram a falar a mesma língua. Tanto na cerâmica quanto nas outras produções, os temas e as referências eram os mesmos, assim como as intenções em cada proposta. Quer dizer, a gente enquanto artista caminha para construção do próprio universo, aquele mundinho cheio de falas desenhadas e, quando ele chega, a gente também precisa entender que chegou.



Revisão: Cassiana Gorgën

 
 
 

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